Como evitar erros de faturamento com a chegada do IBS e CBS

Erros de faturamento com IBS e CBS tendem a surgir logo no início da transição da Reforma Tributária, especialmente no mês de janeiro. Embora, em 2026, a apuração desses tributos tenha caráter exclusivamente informativo, a exigência de preenchimento dos novos campos nos documentos fiscais eletrônicos já representa um aumento relevante no risco operacional, sobretudo para empresas do agronegócio.

Esses erros de faturamento com IBS e CBS podem surgir, principalmente, por falhas de parametrização, cadastros fiscais desatualizados e ausência de testes adequados nos sistemas de emissão de notas. Por isso, compreender o que muda e se preparar desde já é essencial para atravessar a transição com segurança e previsibilidade.

O problema silencioso que surge com IBS e CBS

A chegada do IBS e da CBS inaugura uma nova lógica de faturamento no Brasil. A partir de 2026, conforme definido no Ato Conjunto RFB/CGIBS n.º 1/2025, as empresas passam a registrar informações de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos, ainda que sem recolhimento efetivo desses tributos.

O problema é que muitos sistemas de ERP, cadastros fiscais e rotinas operacionais ainda não estão plenamente preparados para essa exigência. Além disso, janeiro costuma concentrar um aumento no volume de operações após o fechamento do exercício anterior, o que faz com que pequenos erros se multipliquem rapidamente.

Nesse cenário, o risco não está no imposto em si, mas, sobretudo, no faturamento incorreto e na inconsistência das informações fiscais registradas desde a origem.

preparação para IBS e CBS no faturamento do agronegócio

O impacto real dos erros de faturamento no agronegócio

No agronegócio, falhas fiscais não são apenas contábeis. Na prática, elas afetam diretamente a operação.

Uma nota fiscal emitida com erro pode:

  • travar o faturamento;

  • atrasar embarques e entregas;

  • gerar divergências com clientes e fornecedores;

  • comprometer o aproveitamento futuro de créditos;

  • aumentar o risco de fiscalizações e questionamentos.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, disputas tributárias já representam mais de 75% do PIB brasileiro. Embora a Reforma Tributária tenha como objetivo reduzir esse contencioso, durante o período de transição empresas despreparadas tendem a ficar mais expostas a falhas operacionais.

Além disso, a estruturação prévia das informações fiscais em 2026 cria a base para mecanismos futuros, como o split payment, o que torna correções posteriores mais complexas e onerosas.

O que muda no faturamento com IBS e CBS

O IBS e a CBS fazem parte do novo modelo de ICMS dual instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025.

Na prática, isso implica:

  • inclusão de campos específicos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos;

  • padronização nacional das informações fiscais;

  • maior integração entre faturamento, ERP, escrituração e fiscalização;

  • exigência de consistência das informações desde a emissão da nota fiscal, mesmo na fase informativa.

Uma boa metáfora é pensar no faturamento como um painel de avião. Antes, cada estado operava com seus próprios indicadores. Agora, o painel passa a ser único. Consequentemente, qualquer informação incorreta acende um alerta imediato.

Erros de faturamento com IBS e CBS: o equívoco de tratar 2026 como um “ano sem efeito”

Um erro recorrente é acreditar que, por não haver recolhimento de IBS e CBS em 2026, não exista necessidade de preparação imediata. No entanto, esse raciocínio desconsidera que as obrigações acessórias já passam a ser exigidas, conforme estabelece o Ato Conjunto RFB/CGIBS n.º 1/2025, ainda que exista um período inicial de adaptação sem aplicação de penalidades.

Na prática, esse entendimento equivocado faz com que muitas empresas adiem ajustes essenciais. Sistemas de ERP permanecem desatualizados, cadastros fiscais seguem inconsistentes e a emissão de notas fiscais não é testada com os novos campos exigidos. Além disso, há uma confiança excessiva de que os próprios sistemas irão se adaptar automaticamente, o que raramente ocorre sem intervenção técnica adequada.

Como resultado, janeiro acaba se transformando em um laboratório improvisado. Erros operacionais se multiplicam justamente no momento em que o volume de operações aumenta, elevando o custo de correção e o nível de exposição da empresa.

Os riscos práticos de errar no faturamento com IBS e CBS

Não se adaptar desde já amplia riscos operacionais relevantes. Notas fiscais podem ser rejeitadas, o faturamento pode sofrer paralisações e surgem inconsistências entre documentos fiscais e escrituração. Com o tempo, essas falhas dificultam o aproveitamento futuro de créditos, geram retrabalho operacional e aumentam a exposição a fiscalizações e questionamentos.

Mesmo sem penalidades imediatas previstas para o preenchimento dos campos de IBS e CBS, o acúmulo de inconsistências ao longo de 2026 tende a gerar impactos relevantes quando a cobrança efetiva tiver início. Nesse cenário, corrigir informações históricas passa a ser mais complexo, oneroso e arriscado, afetando diretamente a previsibilidade e a segurança da operação.

Como evitar erros de faturamento com IBS e CBS, na prática

A boa notícia é que a maioria dos erros de faturamento com IBS e CBS pode ser evitada com organização e antecipação. Algumas ações são fundamentais:

Revisar o ERP

  • confirmar com o fornecedor se os campos de IBS e CBS já estão disponíveis;

  • validar leiautes e parametrizações atualizadas.

Testando a emissão de notas fiscais

  • simular operações reais;

  • identificar rejeições e inconsistências.

Atualizar cadastros fiscais

  • produtos;

  • clientes;

  • fornecedores;

  • naturezas de operação.

Treinar a equipe

  • faturamento;

  • fiscal;

  • comercial.

Criar rotina de monitoramento

  • acompanhar atos normativos;

  • revisar notas técnicas e atualizações sistêmicas.

🔗 Leia também: Checklist essencial para preparar seu Agronegócio para a Transição da Reforma Tributária

Preparação é vantagem competitiva

Empresas que tratam janeiro como um período de teste controlado reduzem riscos ao longo de todo o ano. Por outro lado, quem ignora essa fase tende a aprender sob pressão, quando o custo do erro é maior.

No agronegócio, onde margens são sensíveis e a operação é complexa, faturar corretamente é proteger o caixa.

Antecipar erros no faturamento é proteger o caixa na transição tributária

Erros de faturamento com IBS e CBS não são um problema futuro. Eles começam na fase informativa da transição.

Janeiro, portanto, torna-se decisivo para testar sistemas, ajustar processos e estruturar informações fiscais. Quem se antecipa transforma a transição tributária em vantagem competitiva.

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Base legal da Reforma Tributária

A Reforma Tributária do consumo está fundamentada principalmente em:

Esses diplomas estruturam a transição do sistema tributário brasileiro até 2033.

🔎 Observação institucional
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