IVA na reforma tributária e os impactos no agronegócio

A IVA na reforma tributária marca uma das maiores transformações do sistema de impostos no Brasil. Para o agronegócio, essa mudança vai muito além do aspecto jurídico. Ela afeta diretamente a operação, o financeiro e a estratégia das empresas.

A partir de 2026, produtores rurais, distribuidores de insumos, cooperativas e indústrias agropecuárias passarão a conviver com um novo modelo de tributação sobre o consumo. Embora o discurso seja de simplificação, esse novo sistema também tende a expor fragilidades que hoje permanecem ocultas na gestão fiscal e financeira.

Por isso, compreender o IVA desde agora não é apenas uma questão de compliance. Trata-se de uma decisão de governança.

O problema do sistema atual e por que o IVA surgiu

IVA na reforma tributária

O sistema tributário brasileiro sempre foi um dos mais complexos do mundo. Atualmente, empresas do agronegócio lidam com ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI, cada um com regras próprias, exceções regionais e interpretações divergentes.

Além disso, a cumulatividade de tributos distorce preços, margens e decisões comerciais. Muitas vezes, o imposto pago em uma etapa não gera crédito integral na etapa seguinte. Como resultado, o tributo se acumula ao longo da cadeia.

Esse cenário gera três problemas claros:

  • custo fiscal elevado;

  • insegurança jurídica;

  • dificuldade de planejamento financeiro.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta do IVA na reforma tributária, prevista na Emenda Constitucional 132 e detalhada pela Lei Complementar 214.

🔗Confira na íntegra a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025

O impacto do IVA na reforma tributária para o agronegócio

O novo modelo altera a lógica da tributação sobre bens e serviços no Brasil. Em vez de vários impostos fragmentados, o país passa a adotar um IVA dual, composto pela CBS, de competência federal, e pelo IBS, de competência estadual e municipal.

Na prática, isso significa que a tributação deixa de ser pulverizada e passa a seguir um padrão mais uniforme em todo o território nacional. Para o agronegócio, esse impacto é imediato.

Cadeias produtivas longas passam a exigir controle rigoroso de créditos. Além disso, operações interestaduais ganham ainda mais relevância. Ao mesmo tempo, erros cadastrais deixam de ser apenas falhas fiscais e passam a afetar diretamente o caixa.

Assim, a tributação deixa de ser apenas uma obrigação acessória e passa a influenciar o resultado financeiro.

O que é o IVA na reforma tributária, em termos simples

O IVA é um imposto sobre valor adicionado. Isso significa que o tributo incide apenas sobre o valor que cada empresa adiciona ao produto ou serviço em sua etapa da cadeia.

Funciona assim:

  • o imposto pago na compra gera crédito;

  • o imposto cobrado na venda gera débito;

  • a empresa recolhe apenas a diferença.

Esse modelo busca eliminar a cumulatividade. No entanto, ele só funciona corretamente quando os dados fiscais estão corretos desde a origem.

Se o crédito não for registrado corretamente, ele não será aproveitado depois.

Por que o IVA na reforma tributária muda a lógica do crédito tributário

No modelo atual, muitas empresas ainda tratam o crédito tributário como um conceito contábil distante da operação. Com o IVA, essa lógica deixa de fazer sentido.

O crédito passa a ser automático, rastreável e condicionado à qualidade da informação fiscal. Dessa forma, uma nota fiscal emitida com erro impede o nascimento do crédito. Da mesma forma, cadastros inconsistentes travam o aproveitamento. Quando a natureza da operação está equivocada, o impacto aparece diretamente no caixa.

Por isso, o IVA transforma o crédito tributário em um ativo estratégico, e não apenas fiscal.

Riscos reais para quem não se preparar

Ignorar os impactos do IVA pode gerar consequências sérias. Entre elas estão a perda de créditos legítimos, o aumento artificial da carga tributária e bloqueios na emissão de documentos fiscais.

Além disso, surgem inconsistências nos relatórios gerenciais e uma pressão crescente sobre o capital de giro. Em um setor com margens apertadas e crédito mais caro, esses riscos deixam de ser teóricos e passam a afetar diretamente decisões de compra, venda e financiamento.

Como o IVA afeta o capital de giro no agronegócio

Embora o IVA seja neutro do ponto de vista econômico, ele pode afetar o fluxo de caixa.

Isso acontece porque:

  • o crédito nasce na compra;

  • o débito nasce na venda;

  • o tempo entre esses eventos varia conforme o ciclo do negócio.

Se a empresa não controlar bem esse intervalo, pode ocorrer descasamento financeiro. Por isso, o IVA exige integração entre área fiscal, financeira e contábil.

Aqui, informação confiável deixa de ser burocracia e passa a ser proteção de liquidez.

Solução prática: como se preparar para o IVA na reforma tributária

A preparação começa antes de 2026 e envolve decisões técnicas e estruturais. Entre as ações essenciais estão a revisão dos cadastros de produtos e serviços no ERP, o ajuste das naturezas de operação conforme o destino da venda e a garantia de consistência fiscal diária, não apenas mensal.

Além disso, integrar dados fiscais aos relatórios gerenciais e projetar impactos no fluxo de caixa e no capital de giro torna-se indispensável. Empresas que adotam essas medidas agora entram na transição com controle. Já aquelas que deixam para depois tendem a operar de forma reativa.

Por que governança tributária se torna vantagem competitiva

Com o IVA, todas as empresas estarão submetidas às mesmas regras. A diferença estará na capacidade de execução. Quem contar com dados confiáveis, processos fiscais maduros e visão integrada entre tributos e finanças tomará decisões melhores, negociará com mais força e protegerá margens.

Nesse cenário, governança tributária deixa de ser custo e se transforma em diferencial competitivo.

🔗 Leia também Checklist essencial para preparar seu Agronegócio para a Transição da Reforma Tributária

O IVA não é apenas um novo imposto

A IVA na reforma tributária não representa apenas uma mudança na legislação. Ela redefine a forma como o agronegócio lida com dados, crédito, caixa e decisões estratégicas.

Empresas que compreenderem esse movimento desde agora sairão na frente. As demais sentirão os impactos justamente no momento mais sensível da transição. Preparação, nesse contexto, não é antecipação excessiva. É gestão responsável.

Se a sua empresa atua no agronegócio, fale com nossos especialistas. Nossa equipe está pronta para ajudar sua empresa a atravessar a transição tributária com segurança, conformidade e previsibilidade, estruturando processos, dados e decisões para o novo modelo fiscal.

🔎 Observação institucional
Este conteúdo reflete o entendimento da legislação vigente no momento da publicação e pode sofrer alterações. Em caso de dúvidas, procure um profissional contábil de sua confiança ou fale com nossos especialistas.

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