PLP 128/2025: o que muda nos benefícios fiscais federais

Entenda o que muda com a PLP 128/2025O PLP 128/2025 avançou de forma significativa no Congresso Nacional e entrou definitivamente no radar das empresas brasileiras, inclusive do agronegócio. A proposta estabelece a redução mínima de 10% dos benefícios federais de natureza tributária, financeira e creditícia, além de introduzir novas regras de governança, transparência e controle desses incentivos.

Embora o projeto ainda dependa de sanção presidencial, a aprovação pelo Congresso já sinaliza uma mudança estrutural na forma como o Estado brasileiro passa a tratar os benefícios fiscais.

Por isso, para empresas do agro, compreender esse movimento desde agora é essencial para garantir planejamento, previsibilidade e segurança nas decisões estratégicas.

O que é o PLP 128/2025

O Projeto de Lei Complementar n.º 128/2025 altera a Lei Complementar n.º 200/2023 e tem como objetivo reduzir, em no mínimo 10%, os benefícios federais concedidos pela União, incluindo:

  • benefícios tributários;
  • benefícios financeiros;
  • benefícios creditícios.

Mais do que promover um corte linear, o projeto muda a lógica de funcionamento desses incentivos. A partir do novo modelo, o governo passa a tratar benefícios fiscais como políticas públicas formais, sujeitas a metas, avaliação periódica e controle orçamentário.

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Qual é o estágio atual do PLP 128/2025

Atualmente, o PLP 128/2025:

  • foi aprovado pela Câmara dos Deputados;
  • recebeu parecer favorável das Comissões de Desenvolvimento Econômico, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça;
  • foi remetido ao Senado Federal;
  • segue para sanção presidencial, conforme comunicado oficial.

Ou seja, o projeto ainda não está em vigor. No entanto, seu conteúdo já indica com clareza a direção da política fiscal federal para os próximos anos.

O que muda na prática?

Na prática, o PLP 128/2025 não elimina automaticamente benefícios existentes. Em vez disso, ele redefine as regras de concessão, manutenção e prorrogação desses incentivos.

A seguir, destacamos os principais pontos.

1. Benefícios passam a ter prazo, metas e avaliação

Com o novo modelo, o governo passa a exigir que todo benefício fiscal tenha:

  • prazo de vigência definido;
  • metas objetivas de desempenho;
  • mecanismos formais de monitoramento e avaliação.

Além disso, o texto determina que o governo não poderá prorrogar benefícios que não forem avaliados ou que não cumprirem suas metas.

2. Redução mínima de 10% nos benefícios federais

O projeto estabelece que a União deverá promover uma redução mínima de 10% nos benefícios federais, respeitando critérios técnicos, fiscais e orçamentários.

Contudo, essa redução não significa o fim imediato de incentivos relevantes para o agronegócio. Em muitos casos, o texto abre espaço para revisões, ajustes e reavaliações setoriais, conforme a efetividade de cada benefício.

3. Mais transparência sobre quem recebe benefícios fiscais

Outro ponto central do PLP 128/2025 envolve o fortalecimento da transparência. O projeto determina a divulgação de dados em formato aberto, a identificação das pessoas jurídicas beneficiárias e a publicação dos valores efetivamente usufruídos. Para viabilizar esse controle, o texto ajusta regras de sigilo, permitindo maior controle institucional e social sobre os incentivos fiscais.

Assim, o governo passa a acompanhar de forma mais clara quem recebe benefícios, quanto recebe e quais resultados esses incentivos geram para a economia.

4. Integração dos benefícios ao orçamento público

Além disso, o projeto reforça a ideia de que benefícios fiscais não são exceções neutras, mas sim gastos indiretos do Estado.

Por esse motivo, eles passam a:

  • integrar o processo orçamentário;
  • obedecer a critérios de responsabilidade fiscal;
  • seguir lógica semelhante à das despesas públicas diretas.

Assim, o governo passa a tratar incentivos fiscais como parte ativa da política econômica.

O que isso pode representar para o agronegócio

Para o agronegócio, o PLP 128/2025 não gera efeitos automáticos imediatos, mas traz alertas importantes.

Entre eles:

  • incentivos fiscais passam a ser mais monitorados;
  • benefícios sem comprovação de impacto econômico ou social tendem a ser revistos;
  • setores precisarão demonstrar relevância, eficiência e retorno para manter incentivos.

Dessa forma, distribuidores de insumos, agroindústrias e produtores rurais pessoa jurídica que dependem de regimes diferenciados, créditos ou incentivos fiscais devem acompanhar de perto a regulamentação e os critérios que serão definidos após a sanção.

Por que acompanhar o PLP 128/2025 desde agora

Mesmo antes da sanção presidencial, o PLP 128/2025 já sinaliza a direção da política fiscal federal, reforça o foco em responsabilidade, transparência e controle e, além disso, influencia decisões de médio e longo prazo. Dessa forma, empresas que aguardarem apenas a entrada em vigor da norma podem ser surpreendidas por mudanças rápidas em benefícios que hoje parecem consolidados.

Antecipar a análise permite ajustar estratégias, rever projeções e reduzir riscos.

Conclusão

O PLP 128/2025 marca uma mudança estrutural na forma como o Estado brasileiro trata os benefícios fiscais. Mais do que reduzir incentivos, o projeto estabelece um novo padrão de governança, avaliação e transparência.

Para o agronegócio, este é um momento de atenção, acompanhamento e planejamento. Entender quais incentivos fazem parte da estratégia do negócio e como eles podem ser afetados nos próximos anos será decisivo para preservar margem, previsibilidade e segurança.

Aqui na Agrocontar, acompanhamos de perto a tramitação de projetos estruturais como esse, sempre analisando os impactos práticos para distribuidores de insumos, agroindústrias e produtores rurais, com foco em clareza, segurança e tomada de decisão.

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