A cotação do dólar é um dos indicadores mais sensíveis da economia brasileira, e no agronegócio, seus efeitos vão muito além das exportações. Fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas e combustíveis estão entre os insumos mais afetados pela oscilação cambial.
Mesmo quando o dólar parece estável, as empresas do agro, sejam produtoras, distribuidoras ou agroindústrias, precisam ficar atentas. A volatilidade cambial pode virar o jogo de uma safra para outra, afetando margens, investimentos e decisões de gestão.
Neste artigo, explicamos como o dólar impacta diretamente os custos e a sustentabilidade das empresas do agro, e o que é possível fazer para reduzir riscos nesse cenário.
O que está por trás da variação cambial?
A taxa de câmbio do dólar é influenciada por diversos fatores globais e internos:
Taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil
Estabilidade política e fiscal
Política monetária dos países desenvolvidos
Oferta e demanda global de commodities
Crises geopolíticas ou econômicas
Esses elementos estão fora do controle direto do produtor ou do distribuidor, mas seus efeitos são sentidos no bolso, e por isso precisam ser monitorados com atenção.
Impactos diretos no Agro
1. Insumos agrícolas mais caros
Cerca de 85% dos fertilizantes usados no Brasil são importados, segundo a ANDA. Defensivos, sementes, softwares e componentes de máquinas também têm seus preços atrelados ao dólar. Quando a moeda americana sobe, esses itens ficam mais caros e, em muitos casos, repassar esses custos para o cliente não é uma opção viável.
2. Máquinas e tecnologia fora do alcance
Colheitadeiras, tratores e até sistemas de irrigação utilizam peças e tecnologia importada. A valorização do dólar encarece esses equipamentos e, muitas vezes, adia investimentos importantes em modernização. Isso afeta especialmente pequenos e médios produtores e distribuidores, que operam com margens mais apertadas.
3. Frete, diesel e logística mais pesados
A alta do dólar influencia diretamente o preço do diesel. Isso encarece o transporte da produção e dos insumos, impactando toda a cadeia. Mesmo quem vende apenas no mercado interno sente a pressão.
Exportar é vantajoso, mas não resolve tudo
Sim, quando o dólar sobe, o produtor exportador ganha mais em reais. Porém, esse ganho pode ser anulado pelo aumento dos custos de produção. Além disso, grande parte do agro brasileiro ainda depende do mercado interno ou atua em etapas intermediárias da cadeia (como os distribuidores), que sofrem com o aumento geral dos preços.
O equilíbrio entre competitividade externa e sustentabilidade financeira interna é delicado e exige gestão estratégica.
Estratégias para lidar com o câmbio no Agro
Mesmo com cenários desafiadores, é possível adotar medidas práticas para minimizar os efeitos da variação cambial:
Compra planejada de insumos
Fechar contratos antecipados ou aproveitar janelas de câmbio favorável ajuda a reduzir riscos e a dar previsibilidade ao caixa.
Diversificação de fornecedores
Reduzir a dependência de importações — quando possível — pode blindar parte dos custos.
Proteção cambial e contratos futuros
Ferramentas como hedge e operações de proteção são acessíveis até para empresas de médio porte e oferecem estabilidade para quem lida com volumes maiores ou exportação.
Tecnologia e inteligência contábil
Soluções de gestão, agricultura de precisão e contabilidade estratégica ajudam a otimizar o uso de recursos e orientar decisões com base em dados reais, não só “feeling”.
Parcerias logísticas e compras coletivas
Cooperativas e alianças entre empresas do setor podem ajudar a diluir custos e aumentar o poder de negociação.
E os pequenos?
Pequenos produtores e empresas que dependem fortemente de crédito são os que mais sofrem. Em momentos de câmbio alto e juros elevados, o financiamento da safra se torna mais caro, e os riscos de endividamento aumentam.
Buscar assistência contábil especializada e manter uma gestão financeira organizada são formas de ganhar fôlego nesses momentos.
Tendências: o dólar deve continuar pressionando
Projeções do mercado indicam que o dólar deve oscilar nos próximos meses, impulsionado por fatores como juros americanos, tensões comerciais e instabilidade política no Brasil. A recente taxação de exportações brasileiras pelos Estados Unidos, por exemplo, reforça esse cenário.
Isso torna ainda mais essencial que empresas do agro tenham ferramentas para antecipar riscos e tomar decisões com embasamento técnico.
Você está preparado?
Mesmo que você não exporte, a variação do dólar influencia diretamente o desempenho da sua empresa. Ela impacta os custos de insumos, máquinas, transporte, crédito e até a capacidade de investimento.
A diferença entre quem sobrevive e quem cresce em cenários de instabilidade está na capacidade de antecipar cenários, reduzir riscos e tomar decisões com apoio técnico.
Aqui na Agrocontar, nosso papel é ajudar empresas do agro a interpretarem cenários contábeis, fiscais e financeiros com visão estratégica. Não basta “acompanhar o câmbio”. É preciso saber o que fazer com essa informação.
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